02 de junho de 2014, domingo.
21:20
A luz foi embora. Passavam apenas uns minutos das nove da noite quando as luzes se apagaram. No início fiquei sentado estupidamente na cozinha, que é onde passo mais tempo ultimamente. Corri para o quintal para ligar as baterias acumuladores dos painéis solares. Nossa, foi uma benção do caralho ter comprados elas. Bom, agora pelo menos minha comida não vai se estragar do dia pra noite.
Fui olha por cima do muro para ver se meus amigos estavam na casa deles. Fiquei aliviado quando vi um flash de luz saindo de uma janela. Pensei que eles tinham se juntado aos soldados e ido para as Áreas Seguras, mas não, eles tiveram a mesma ideia que eu. Falando baixo, chamei e os três vieram se juntar a mim, pulando o muro que dividia as casas.
Chegando na sala, liguei a TV no volume baixo e ficamos assistindo uma repórter dizer que estavam fazendo um espécie de mutação no vírus do Ebola do laboratório que foi destruído nos Estados Unidos. A repórter dizia que quando um indivíduo era exposto a fluidos corporais de uma pessoa infectada, ele imediatamente contraía o maldito vírus, de modo que no final do terceiro dia, depois de uma febre hemorrágica, dores nas articulações e feridas por todo o corpo, a pessoa vinha a óbito. Até aí tudo bem, mas a notícia ainda dizia que, mesmo depois de mortos, alguns neurônios se reconectavam com a medula, reanimando uma pequena área do cérebro e dando ao indivíduo a capacidade de fazer necessidades básicas de um ser humano, só que com extintos mais predatórios, como se alimentar de carne humana. Todas as lembranças que esta pessoas já teve um dia eram totalmente excluídas, e a única maneira de fazer essas coisas pararem era destruindo o seu cérebro. Dito isso, desliguei a TV e fui me sentar na cozinha.
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