02 de junho de 2014, domingo.
20:35
Foi há apenas alguns minutos. Um veículo blindado do exército e um caminhão de transporte vazio acabaram de parar bem na frente da minha casa. Desceram alguns soldados e começaram a bater as portas dos meus vizinhos, uma por uma. Como eu estava na cozinha ouvindo o rádio, as luzes da frente de minha casa estavam apagadas.
Quando bateram em minha porta, não me mexi. Peguei minha gata no colo e esperei um instante em silêncio, até que quem quer que estivesse na porta fosse embora. Mas precisava ver o que estava acontecendo. Fui discretamente até a janela e espionei pelas persianas. Vi minha vizinha sair com as duas filhas e umas malas, com os soldados a ajudavam a entrar no caminhão. Fizeram o mesmo com vários moradores da rua. Acho que estavam levando elas para as Área Seguras que foram montadas em dois lugares da cidade, uma na Arena das Dunas e mais uma na Zona Norte. As Áreas eram locais perfeitamente estudadas e protegidas.
Os caminhões partiram rumo as Áreas Seguras. Mas antes de entrar em seus veículos, um soldado pintou um enorme X vermelho no asfalto da rua. Depois disso, o caminhão virou a esquina e desapareceu. É tamanho o silêncio na noite que pude ouvir o som dos caminhões durante um bom tempo. Imagino que ainda tinham muito mais paradas para fazer nessa noite.
Aconteça o que acontecer, não confio no que o governo faz e quero manter distância das pessoas enquanto tem um surto de Ebola assolando o resto do mundo. Não, prefiro ficar na companhia da minha gata.
Já começam as minha dúvidas se ainda vai ter copa no Brasil esse ano. Ah, quer saber? Foda-se a copa. Pelo menos os padrões FIFA vão servir para outros propósitos agora.
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